Blog

Buraco na rua e calçadas sem manutenção – o que acontece quando você se machuca

DIREITO IMOBILIÁRIO · DIREITO URBANÍSTICO

18 de junho de 2019 · 3 min de leitura
Todos devem passar diariamente por ruas ou calçadas com buracos ou sem manutenção. Mas você sabia que tem direitos e deveres com relação a isso? Vamos primeiro aos direitos! Se ao circular por uma rua ou estrada esburacada, você sofrer algum tipo de acidente que venha a danificar o seu veículo ou até mesmo machucar os ocupantes do automóvel, você pode solicitar o pagamento dos prejuízos ao responsável pela via. Mas quem é responsável? Aí vai depender do local que você estiver circulando. Pode ser a Prefeitura de sua cidade, o Estado, a União Federativa ou uma concessionária em caso de vias concedidas à iniciativa privada (normalmente estradas). Antes de solicitar qualquer tipo de reembolso dos valores gastos, é indispensável comprovar o ocorrido, com fotos do local e do veículo, além de relatório médico no caso de haver algum dano físico aos ocupantes do veículo. Também deve ser feito Boletim de Ocorrência e é necessário fazer pelo menos 3 orçamentos para conserto do automóvel. Para solicitar pagamento dos prejuízos, pode ser feito pelo próprio cidadão em via administrativa, para a Prefeitura de São Paulo, conforme Decreto 57.739/2017. Este decreto explicita como fazer a solicitação via requerimento administrativo dirigido à Procuradoria Geral do Município de São Paulo. Caso o pedido seja negado ou provido apenas parcialmente é possível entrar com processo judicial solicitando o pagamento dos danos. Para a cidade de São Paulo, valores até R$50.000 são considerados RPV (Requisição de Pequeno Valor) e são pagos preferencialmente no mesmo exercício financeiro (válido tanto para o processo administrativo quanto judicial). Caso ocorra um acidente em estrada concedida à iniciativa privada, normalmente as concessionárias já têm um processo definido em seu site – costuma ser mais fácil e rápido, mas sempre tendo o cuidado de comprovar todo o ocorrido. Também pode ser feito via judicial em caso de negativa. Motoristas de aplicativos, taxistas ou outras pessoas que dependam do automóvel para exercer sua atividade profissional também podem solicitar o pagamento de lucros cessantes, pois deixará de trabalhar enquanto o veículo estiver em manutenção. Também existem regras para calçadas – em caso de estar caminhando em calçadas sem manutenção e/ou escorregadias e se acidentar é possível pedir indenização. Porém, algo que nem todos sabem, é que a manutenção das calçadas é de responsabilidade do proprietário do imóvel onde esta se localiza. Ou seja, caso alguém se acidente em uma calçada quebrada em frente à sua residência, você pode vir a ser acionado judicialmente! Na cidade de São Paulo, temos 68 milhões de metros quadrados de calçadas! E apenas 16% desse total é de responsabilidade da prefeitura, as demais, devem ser mantidas por particulares. calçada São Paulo As calçadas que são de responsabilidade da Prefeitura de São Paulo são:
  • Praças e seus entornos
  • Centro da cidade (o calçamento de pedra portuguesa)
  • Av. Paulista
Caso você se acidente em uma calçada mal conservada, pode ser solicitado:
  • Dano moral pelo constrangimento sofrido
  • Dano material pelas despesas médicas
  • Lucros cessantes por dias não trabalhados (para profissionais liberais)
Conheça e busque seus direitos! Mas também não deixe de exercer seu dever enquanto cidadão. Para mais informações sobre assuntos relativos à Direito Imobiliário e Urbanístico, acesse nosso blog.

Aviso editorial: este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Cada caso depende de análise individualizada por advogado especializado. Conteúdo produzido em conformidade com o Provimento OAB 205/2021.

Mais conhecimento

Artigos relacionados

Edifício em construção com tapume e guindaste em São Paulo, cenário do novo licenciamento declaratório Licencia Sampa

Licenciamento Declaratório em São Paulo: O Que Muda com o Licencia Sampa

São Paulo adotou o licenciamento declaratório (Licencia Sampa) para obras até 1.500 m². Mais rápido, mas com responsabilidade solidária ampliada.
Casal Sênior revisando em casa os documentos de negativa de cobertura do plano de saúde

Plano de Saúde Negou Tratamento Fora do Rol da ANS? O Que Mudou com o STF

Plano negou tratamento fora do rol da ANS? Veja os 5 requisitos fixados pelo STF na ADI 7.265 e por que a receita médica sozinha não basta mais.
Vista aérea da Avenida Paulista e do skyline de São Paulo, cenário do novo regime de HIS e HMP

HIS e HMP em São Paulo: Novas Faixas do Decreto 64.895/2026

Novas faixas de renda e preços-teto de HIS e HMP em São Paulo: o que muda no zoneamento, no ITBI e no MCMV após o Decreto 64.895/2026.
Mulher madura analisando faturas do plano de saúde com calculadora, preocupada com o valor da coparticipação

Coparticipação Abusiva no Plano de Saúde: Conheça Seus Direitos

Coparticipação é legal, mas não pode inviabilizar tratamento contínuo. Valor desproporcional é abusivo (CDC e Súmula 608 do STJ). Veja o que fazer.