Guia Completo: Devolução Integral de Imóveis HIS e HMP em São Paulo
A aquisição de um imóvel vinculado aos programas de Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP) é um marco para muitas famílias na Capital Paulista. No entanto, o cenário jurídico de 2025-2026 consolidou um entendimento fundamental: se houve irregularidade na venda ou desvio de finalidade, o comprador tem direito à devolução de 100% dos valores pagos.
Este guia explica como identificar se o seu contrato possui falhas que permitem a rescisão integral, superando as multas pesadas da Lei do Distrato.
O Que Caracteriza os Imóveis HIS e HMP?
Estes imóveis são criados pelo Plano Diretor de São Paulo para garantir moradia a quem realmente precisa, contando com incentivos fiscais e regras de preço controlado. Eles são divididos por faixas de renda familiar:
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HIS-1: Famílias com renda de até 3 salários mínimos.
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HIS-2: Famílias com renda de 3 a 6 salários mínimos.
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HMP: Famílias com renda de 6 a 10 salários mínimos.
A grande questão jurídica atual em toda a cidade é que muitos desses imóveis foram vendidos para públicos com renda superior à permitida ou para investidores, o que configura desvio de finalidade.
O Direito à Devolução de 100% (Sem Retenções)
Tradicionalmente, quando alguém desiste de um imóvel, a construtora retém entre 25% e 50% dos valores. No entanto, as decisões recentes do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) mudaram o jogo para os compradores de HIS e HMP.
Quando cabe a restituição integral?
A Justiça tem garantido a devolução de todas as parcelas, entrada e comissão de corretagem nos seguintes casos:
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Venda Irregular: Se a incorporadora vendeu o imóvel para você sem que você se enquadrasse na faixa de renda exigida pela lei municipal.
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Omissão de Restrições: Se não foi informado claramente que o imóvel não poderia ser alugado por plataformas como Airbnb ou que havia um teto para o valor da locação.
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Falta de Transparência: Quando o contrato omite que a unidade faz parte de um programa de habitação popular com restrições de revenda.
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Culpa da Construtora: Casos de atraso na entrega da obra ou problemas estruturais graves.
Resumo das Regras de Restituição (Cenário 2025-2026)
| Motivo da Rescisão | Percentual de Devolução | Base Legal |
| Venda Irregular (Desvio de HIS/HMP) | 100% (Integral) | Código de Defesa do Consumidor / Decisões TJSP |
| Atraso na Entrega da Obra | 100% (Integral) | Súmula 543 STJ |
| Omissão de Informações Relevantes | 100% (Integral) | Dever de Informação (CDC) |
| Desistência Simples (Sem erro da empresa) | 50% a 75% | Lei do Distrato (13.786/2018) |
Como Identificar Irregularidades no seu Imóvel?
Muitos proprietários em São Paulo nem sabem que moram em um HIS ou HMP até tentarem vender ou alugar o imóvel e enfrentarem bloqueios. Fique atento aos sinais:
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Localização Estratégica: Empreendimentos em áreas valorizadas e com infraestrutura completa, mas registrados como “Habitação Popular” para obter isenção de impostos.
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Restrições no Registro: Verifique na matrícula do imóvel se constam as siglas HIS ou HMP.
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Propaganda Enganosa: Se o imóvel foi vendido como “investimento de alta rentabilidade” ou para “público premium”, mas a documentação diz ser habitação social, há uma irregularidade clara.
Deveres e Procedimentos para o Distrato
Para buscar seus direitos na capital, é essencial seguir estes passos:
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Auditoria Contratual: Analisar se o contrato menciona o enquadramento na Lei Municipal de Habitação.
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Notificação Formal: Comunicar a construtora sobre a descoberta da irregularidade.
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Preservação de Provas: Guardar folhetos de venda, e-mails de corretores e comprovantes de pagamento.
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Ação Judicial: Dado o entendimento atual do MP-SP e do TJSP, a via judicial tem sido o caminho mais rápido para garantir que o consumidor não perca seu patrimônio em multas abusivas.
Conclusão: Proteja seu Patrimônio
A fiscalização sobre o desvio de finalidade em imóveis populares aumentou drasticamente em São Paulo. Se você comprou um imóvel HIS ou HMP e sente que as regras não foram explicadas ou que o produto não condiz com a legislação de habitação popular, você tem o direito de reaver tudo o que investiu, com correção monetária.
A segurança jurídica em 2026 favorece o consumidor que foi induzido ao erro por incorporadoras que utilizaram benefícios sociais para lucro imobiliário indevido.




